JANAÚBA — Grande parte do lixo das cidades que compõem a região da Serra Geral de Minas pode virar energia elétrica para consumo nas escolas, postos de saúde e outros prédios públicos.
O Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Sustentável da Região da Serra Geral de Minas (União da Serra Geral) larga na frente e, em uma iniciativa de parceria público-privada (PPP), estuda a possibilidade de iniciar estudos do projeto de implantação de uma Unidade de Valorização Energética de Resíduos Sólidos Urbanos (Uver) e utilização da energia elétrica gerada para compensação do consumo próprio.

Através de determinação do presidente do Consórcio, Juracy Fagundes Jácome, também prefeito de Nova Porteirinha, o corpo técnico do Consórcio iniciou contatos com empresas interessadas em investir nesta tecnologia, visando atender a demanda da região.
Duas empresas e uma Universidade já se mostraram interessadas em investir neste setor e, em visita ao Consórcio apresentaram seus projetos e suas propostas, que estão sendo analisadas pelo jurídico da entidade, bem como avaliadas pelos prefeitos filiados ao União da Serra Geral.

A ideia inicial seria a de se buscar tecnologia do sistema industrial para a destinação dos resíduos sólidos, uma vez que os municípios têm um prazo determinado para eliminar seus lixôes e até mesmo aterros sanitários para atender às normas legais. Prazo este que, em algumas cidades já estão se esgotando. Como é o caso do município de Janaúba, o maior da região da Serra Geral.

Segundo o prefeito janaubense, Carlos Isaildon Mendes, sua necessidade “é urgente, urgentíssima”. Ele atesta que busca alternativas para destinação do lixo local, uma vez que seu atero sanitário controlado encontra-se com capacidade no limite e vê nestas propostas apresentadas ao Consórcio uma grande saída para o grave problema enfrentado. Atualmente Janaúba produz cerca de 70 toneladas de lixo/dia e seu aterro não comporta mais esta demanda. Estima-se que cada habitante produza um quilo de lixo por dia.

RESÍDUOS URBANOS — Vivemos numa sociedade organizada e que estimula o consumo e a produção em grande escala. A filosofia do descartável e do excesso de embalagens predomina em diversos setores do mercado o que significa diretamente mais rejeitos. Em 2013, o Brasil produzia 209.280 toneladas de lixo por dia, dos quais 42% ficavam expostos a céu aberto em lixões. Segundo uma empresa de limpeza pública de atuação nacional, há um crescimento em torno de 5% ao ano na quantidade de lixo gerado. Grande parte do lixo ainda não é coletada permanecendo junto às residências.
Problemas sérios causados pela precária disposição final do lixo é a disseminação de doenças, a contaminação do solo e de águas subterrâneas pelo chorume, a poluição pelo gás metano (gerado na decomposição da matéria orgânica presente no lixo), a falta de espaço para o armazenamento, entre outros.

A energia gerada pode ser usada para compensar o consumo energético do local de origem e de qualquer outro ponto da rede da mesma concessionária, desde que sejam pontos de consumo do mesmo consumidor, ou seja, a energia gerada pelo lixo poderá compensar o consumo em escolas, unidades de saúde, prédios públicos e iluminação pública. As diferenças entre a energia gerada e a compensada são apuradas mensalmente e os saldos são guardados por até 60 meses para ajustes nas compensações.

ENERGIA — Segundo o presidente do União da Serra Geral, Juracy Jácome, além de resolver os problemas relacionados à destianação do lixo, a instalação desta usina ainda poderia ajudar a economizar energia elétrica dos órgãos públicos existentes nos municípios. A ideia da usina de geração de energia através da utilização do lixo é boa em todos os sentidos, e reforça o caminho da inovação que a gestão do Consórcio União da Serra Geral está trilhando em parcerias. Com a energia gerada pelo lixo trabalhado na usina os municípios envolvidos economizariam com energia e aterro sanitário.

Com a criação da usina, batizada de Unidade de Valorização Energética de Resíduos Sólidos Urbanos (Uver), os caminhões de lixo vão diretamente para a Uver, em vez de irem para o aterro sanitário, que transforma o lixo em energia elétrica.
O presidente lembra que o lixo pode se tornar uma fonte de energia limpa que vai diminuir os gastos das prefeituras com energia elétrica nas suas edificações.
“Ao mesmo tempo, dá uma destinação adequada a parte do lixo produzido na cidade, gerando uma razoável economia com os gastos públicos, melhorando a qualidade da gestão pública. A região da Serra Geral terá a possibilidade de gerar energia de forma limpa através da utilização do lixo. É uma iniciativa muito avançada em alguns países da Europa e no Japão que nós temos a oportunidade agora de trazer para a região”, disse Juracy Jácome.

“São estudos. Sondagens, porém com amplas possibilidades de se instalar usina deste porte para atender a região. Vamos, a partir de agora aprofundar sobre os procedimentos legais desta implantação e agilizar, o quanto antes sua implantação”, atesta o superintendete do Consórcio União da Serra Geral, Horácio Cristo Barbosa.